Glossário
Trinta e quatro termos que aparecem nas fichas, nos stacks e nas ferramentas, cada um com uma definição curta e precisa — de agonista a pentadecapeptídeo.
Estrutura e química
Aminoácido — molécula com um grupo amino e um grupo carboxila que serve de unidade de construção de peptídeos e proteínas. Vinte deles são codificados geneticamente, e análogos sintéticos podem usar unidades fora desse conjunto.
Ligação peptídica — ligação covalente entre o grupo carboxila de um aminoácido e o grupo amino do seguinte, formada com liberação de água. É a ligação que as enzimas digestivas quebram.
Peptídeo — cadeia de aminoácidos unidos por ligações peptídicas, cada um deles chamado de resíduo depois de incorporado. A fronteira com proteína é convencional, situada por volta de cinquenta resíduos.
Tripeptídeo — peptídeo de três resíduos. O prefixo indica o número de aminoácidos da cadeia.
Pentadecapeptídeo — peptídeo de quinze resíduos. O termo aparece na descrição de compostos identificados pelo comprimento da sequência.
Análogo — composto obtido a partir de uma sequência de referência com modificações deliberadas, como substituição de resíduos ou acréscimo de cadeia graxa, geralmente para alterar estabilidade, seletividade ou duração de ação.
Liofilizado — material seco por congelamento e sublimação da água sob vácuo. Resulta em um sólido poroso mais estável para transporte e armazenamento do que a solução correspondente.
Receptores e ação
Receptor — proteína que reconhece um sinal específico e o converte em resposta dentro da célula. A maioria dos peptídeos age em receptores da superfície celular.
Ligante — qualquer molécula que se liga a um receptor, com ou sem ativá-lo.
Agonista — ligante que ativa o receptor ao se ligar, produzindo a resposta celular, como faz o hormônio natural correspondente.
Antagonista — ligante que ocupa o receptor sem ativá-lo, impedindo que um agonista se ligue e reduzindo a sinalização.
Afinidade — força com que um ligante se liga ao receptor, ou seja, quanto do composto é necessário para ocupá-lo. Não informa quanta resposta a ligação gera.
Seletividade — grau em que um composto age apenas no alvo pretendido. Baixa seletividade significa ativação de outros receptores, com efeitos adicionais desejados ou não.
Secretagogo — composto que estimula a secreção de uma substância pelo próprio organismo, em vez de fornecer essa substância de fora.
Farmacocinética
Biodisponibilidade — fração de uma quantidade administrada que alcança a circulação sistêmica na forma ativa. Por via intravenosa é total por definição; por via oral, peptídeos costumam ter biodisponibilidade muito baixa.
Meia-vida — tempo necessário para que a concentração de uma substância no plasma caia à metade. Descreve a velocidade de eliminação, não a duração do efeito, que pode ser mais curta ou mais longa.
Peptidase — enzima que quebra ligações peptídicas. Estão presentes no trato digestivo, no plasma, nos tecidos e nos rins, e são a principal via de eliminação de peptídeos.
Metabolismo de primeira passagem — transformação de uma substância pelo fígado e pela parede intestinal antes de ela alcançar a circulação geral, o que reduz a fração que chega ativa após ingestão.
Preparo e administração
Reconstituição — dissolução de um pó liofilizado em um diluente, produzindo uma solução homogênea em volume conhecido.
Diluente — líquido usado para dissolver o pó. A escolha faz parte da definição do produto e não é indiferente: água estéril, água bacteriostática e solução salina têm composições e implicações distintas.
Água bacteriostática — água estéril para injeção com um agente bacteriostático, normalmente álcool benzílico, destinada a inibir crescimento microbiano em frasco puncionado mais de uma vez. Existem situações clínicas em que o álcool benzílico é contraindicado.
Concentração — massa de substância por unidade de volume de solução, obtida dividindo a massa do frasco pelo volume de diluente. É o que converte quantidade em volume de seringa.
Subcutâneo — via de administração que deposita a solução no tecido logo abaixo da pele, de onde ela é absorvida de forma gradual, com perfil diferente do da via intramuscular.
Seringa U-100 — seringa cuja escala tem cem graduações por mililitro, de modo que cada graduação equivale a 0,01 mL. Escalas U-50 e U-40 têm, respectivamente, cinquenta e quarenta graduações por mililitro, e trocá-las introduz erro de fator.
Eixos e famílias citados na biblioteca
GLP-1 — peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1, hormônio liberado pelo intestino em resposta à alimentação, que atua sobre secreção de insulina, motilidade gástrica e sinalização de saciedade.
GIP — polipeptídeo inibidor gástrico, o outro hormônio incretínico, com receptor próprio e distribuição tecidual distinta da do receptor de GLP-1.
Incretina — classe de hormônios intestinais, entre eles GLP-1 e GIP, liberados após a refeição e que amplificam a resposta de insulina à glicose ingerida.
GHRH — hormônio liberador de hormônio de crescimento, produzido no hipotálamo, que estimula a hipófise a liberar hormônio de crescimento por meio de seu próprio receptor.
Grelina — hormônio produzido sobretudo no estômago, ligante do receptor secretagogo de hormônio de crescimento, associado à sinalização de fome e à liberação de hormônio de crescimento.
Melanocortina — família de peptídeos derivados de um precursor comum que atuam em receptores numerados de MC1 a MC5, envolvidos em pigmentação, inflamação, balanço energético e função sexual, conforme o receptor.
Regulação e evidência
Off-label — uso de um medicamento registrado fora do que sua bula autoriza, seja em indicação, população, via ou esquema. Pressupõe um produto registrado e a responsabilidade de quem prescreve.
Investigacional — composto em estudo, sem registro para uso terapêutico. Seu uso em pessoas é legítimo apenas dentro de protocolo de pesquisa aprovado.
Desfecho substituto — medida intermediária, geralmente um marcador laboratorial, usada no lugar de um desfecho clínico. Que a mudança no marcador se traduza em benefício vivido é uma afirmação separada, que precisa ser demonstrada.
Lista de Proibições da WADA — padrão internacional que define substâncias e métodos proibidos no esporte, revisado periodicamente e organizado por classes descritas por efeito biológico, e não apenas por nomes.
Em resumo
- Afinidade, eficácia e seletividade descrevem coisas diferentes e não se substituem em uma frase de marketing.
- Secretagogo estimula a produção do próprio organismo; análogo fornece uma versão modificada da molécula de fora.
- Meia-vida descreve a eliminação no plasma, e não a duração do efeito.
- Concentração é o que converte massa em volume de seringa, e a escala da seringa muda a conversão.
- Off-label e investigacional não são sinônimos: o primeiro pressupõe um produto registrado, o segundo não tem registro.
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